18 de fev. de 2011

NSP Cap 46...... Uma visita ao Lipo e ao Léo

Acordei depois de uma noite mágica com o Cado. Pus uns shorts e tênis, dei um beijo no Cado que dormia profundamente ainda perdido com o fuso horário. Abriu os olhos sem saber se era manha ou tarde. Pra mim eram 5 da madruga, meu horário de exercícios, pra ele seriam 8 da manha, tarde para ele que como eu é madrugador. Menti que ainda era noite, queria que ele descansasse do vôo de horas que pegou para me ver.
Perguntei na recepção pra que lado ficava o mar. Fiz meus alongamentos na piscina do hotel e sai correndo para a direção indicada pelo sonolento recepcionista do Hotel.
Correr me faz pensar, sentir os hormônios fluir, inundando o corpo me deixa em meditação para pensar em coisas que durante o dia corrido simplesmente me passa desarpercebido.
Pensava no carinho do Cado, pensava no quanto dei sorte na vida em tê-lo comigo, pensava em mio fratello feliz com um cara que o ama. Pensava que quero pra ele tudo que tenho. Não digo financeiramente, pois o que é meu é dele, mas quero que o Lipo um dia se sinta tão seguro quanto eu com o amor de outro. Pensava no carinho imenso que tenho pelo Léo e no seu amor sincero pelo doidinho do mio fratello. Pensava no mio babbo que sofrendo a falta da mamma trabalhava no sitio como em homenagem a ela, lembrei da forma como olha para a cuccina, oggi que a mamma não está mais lá entre seus sugos, pastas e ervas.E ri lembrando que eu e o Lipo somos tão devassos e sexuais quanto ele. Pensava no carinho da Estelita em mandar-me a sobremesa, feita de forma tão carinhosa que me pareceu ouvi-la chamar-me de menino devasso gigante, como sempre fazia em suas brigas por eu e o Lipo andarmos de cuecas pela casa. , pensava em todos meus afilhados estudando, indo felizes à escola, sentia falta de vistoriar os boletins bimestrais de cada um deles.  Me veio na memória cada amigo que fiz na vida, cada amigo que conquistei na web escrevendo aqui minha estória, Pessoas de todas as idades e lugares, gente que pensa que eu valho a pena dois minutos de papo no MSN. Engraçado! Mas penso neles com tanto carinho que me parecem amigos de longa data que ouviram meu riso e meu choro e estão sempre lá para me dar uma moral.  Estava feliz pelo Cado ter concordado em ter o Rick junto a ele e com ele dividir o trabalho estafante de um executivo. O safado ia me dar mais trabalho tentando me livrar das mariposas que cairiam matando em meu gato agora mais livre. No problem! Se ele está feliz, eu também estarei. Pensei que daqui a no máximo dois anos terei um figliolo ou uma figliola e passearei com ele nos parques, brincarei de cavalinho, pegarei e levarei na escola, ensinarei minha vida e aprenderei com ele o futuro que será dele.
O sol nascia do lado de cá do Atlântico e lembrei-me dos jogos alegres de beach voley no Porto da Barra. Minha vida inteira passou como um raio na minha mente. Agradeci cada presente que a vida me deu, cada sofrimento sentido, cada noite insone trabalhando nos motéis e quartos desconhecidos ou em mesas de escritórios fazendo o meu trabalho de fazer dinheiro.  Fui humilhado e enaltecido. Mas a vida me é generosa, talvez porque eu seja também com ela. Meu coração não tem amarguras e tenho a vida inteira para fazer o meu melhor. Ou melhor! Tenho sempre o próximo segundo para fazer meu melhor.
Achei uma praça com equipamentos esportivos e pratiquei um pouco de musculação, pensei que seria mais divertido malhar ali que numa fria academia de hotel. Terminado o treino voltei para o hotel e o Cado estava vestindo um terno. Beijei-lhe e ele ralhou comigo por não tê-lo chamado para vir comigo. Reclamou que malhou sozinho na academia do hotel. Eu sorri, dizendo enquanto o abraçava suado.
-Tava com saudades de suas broncas. De seu ralhar logo cedo.  Tira este terno que não teremos trabalho.
-Para de tentar me seduzir!
-Poxa você de terno! Tão pertinho de minhas mãos! Covardia!
-Menino chato que já acorda de pau duro! Já bateu sua punhetinha solitária?
-Punhetinha não! Olha o respeito! Já fiz minha solitária sim. Por isso tô cheio de energia. KKKKKKKKKKKKK
-Você é único meu moleque!  Pedi o breakfast aqui na suíte. Você prefere descer?
-Não, comemos aqui. Cadão! T ô pensando em ir a New York ver os meninos. O que você acha?
-Pergunta boba! Sei que você vai de qualquer jeito dar uma bronca ao vivo nos dois. Faz o seguinte. Você me põe a par das obras na Toscana. Eu sigo para a Europa e te espero. Acha que vai ficar quanto tempo em NY?
-Uns dois ou três dias. Por que não vem comigo?
-Teo! Tô afim de Manhattan não. Prefiro te esperar na Toscana.
-Então vamos jantar no Marrocos? É caminho para nós dois.
-Caralho você não cansa de aviões!
-Viajo sentado! Como é que vou cansar? KKKKKKKKKKKKKKKKK Para de ser chato! Jantamos em Tanger, no La Nabab, você adora! Eles fazem o melhor couscuz do planeta. Jantar romântico vendo de longe as luzes de Gibraltar, uma boa trepada antes do vôo.
-Tá bem. Eu topo. Putinho barato!
-Puto sempre, barato nunca! KKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Passamos a manhã passeando pelas ruas calmas de Benguela, em alguns becos vi crianças dançando kuduro, uma dança que contaminou as ruas de Salvador. Muito divertida, mas que exige uma boa dose de sangue africano para dançar com certa elegância. Eu mediterrâneo, sou apenas um baiano metido a negão. Nunca consegui.
À tarde atravessamos metade da costa africana num vôo direto a Tanger, teríamos 5 horas para jantar e trepar. O Cado seguiria para Roma e de lá para Siena, eu faria Madrid - New York. Percebi a maluquice que tinha proposto ao Cado assim que desembarquei em La Guardia, NY, estava um caco, quase caindo de cansaço na Aduana.  Fretei uma limusine, dessas que se alugam quase a preço de taxi em NY, com a vantagem do driver ser um pouco mais educado e não xingar durante o percurso. O pobre rapaz teve que me sacudir para me tirar do sono ferrado em que cai.
Eram 13 horas quando tentei por a chave que abre o elevador do Loft no buraco e depois de algumas tentativas frustradas a porta é suspensa pelo Léo de calça moleton e um bastão de baseball na mão. Quando me viu. Eu assisti o bastão descer devagarzinho de sua mão, cair no chão enquanto ele me olhava, assustado.  Seu susto passou do riso largo que é cara dele, depois de novo ao espanto. Perguntou.
-Bigs tu veio nos visitar ou dar uma surra na gente?
-Os dois, não nessa ordem.
Ele pulou em cima de mim me deu um beijo na boca e no pescoço e saiu correndo pelo loft gritando.
-Lipo! Tamos  fudido!  O Bigs tá aqui.
Lá de cima do mezanino aparece uma carinha linda de cabelos muito encaracolados, olhos azuis e corpo de deus, vestindo uma toalha de rosto negra que deixava seu corpo branco, mais branco ainda. Deve ter sido a causa da farra que parecia ter havido.
-Whos is Bigs?
Logo atrás dele aparece o Lipo, nuzinho em pêlo. Manda o garoto para o quarto e desce escorregando pelo corrimão da escada.
-Grandotte mio!
Abraça-me com todo carinho. Me dá um beijo demorado na boca, tirando minhas ultimas forças. Desfaço-me nos braços dele. Sentir o cheiro do Lipo de novo de tão perto me fez perder todos os sentidos. Toda ira que vim treinando durante o vôo se foi naquele beijo. Quando ele me largou, senti de novo o cansaço de três noites dormidas pela metade. Falei.
Libera meu quarto, troca os lençóis que com certeza estão esporrados e manda o putinho passear. Quero dormir, não quero barulho e quero os dois bem arrumadinhos assim como a casa inteira logo que eu acordar. Vamos ter um conversa.
-Pô Bigs tá mals hein? Cansadão! Quer uma massagem meu rei?
-Não tenta me seduzir seu puto de praia. Vou descansar, e quero os dois ex-presidiários em casa quando acordar. E mais! Quero ver as provas que têm feito no curso. Não fujam ou boto a policia atrás de vocês como arrombadores.
Léo:
-Vixe Lipo! O bicho pegou! Olha a cara de mal do Bigs!
Lipo estava com os cabelos que lembravam uma peruca Black Power . Neste momento levava o garoto bonito pelas mãos e dava um beijo de despedida com um forte aperto na bunda. Passando por mim o carinha me olhou de cima abaixo, fazendo charme barato. Fiz cara de bravo.
O Lipo volta e me abre seu sorriso matador. Me abraça de novo e assanhando meu cabelo me diz.
-Relax fratello! Tava com muita saudade suas. Desfaz essa cara de bravo que vamos preparar um banho pra você. Depois aquela vitamina nojenta que tu adora, fazemos a caminha pra ti e arrumamos o barraco.  Quando você acordar vai estar inteirinho pra nos bronquear e depois fuder com a gente a noite toda.
Pensei.
A quem esse sujeito saiu? A casa tava uma zona. Parecia que o Godzila e o King Kong resolveram trepar em plena sala. Estava claríssimo que eles saíram da delegacia e fizeram a maior farra. Meus tapetes persas pareciam que tinham sido comprados num brechó. Roupas intimas de homens e mulheres jaziam amassadas no ringue de Boxe que eu mantinha todo orgulhoso no meio da sala. Em outro brinquedo meu, uma cama elástica, vi de longe umas 3 camisinhas largadas. Com certeza elas não estavam pulando sozinhas na cama. Na clarabóia que ilumina todo o loft de teto altíssimo varias bexigas de parque de diversões batiam desesperadas para alcançar o céu.  Parei de olhar ao redor, tinha medo do que veria.
Quando comecei a subir a escada para meu quarto vi uma cena que foi a ultima gota. Minha bicicleta caríssima estava dependurada pela roda traseira balançando que nem carne de açougue.
Gritei apontado para a pobre da bike que exibia um suporte atlético dependurado no guidão.
-Ma che cazzo é quello?
Pelo canto dos olhos vi o Léo correr como um ratinho calunga para trás do balcão da cozinha. O Lipo fazia uma careta que o denunciava como autor do crime.
Pulei em cima dele e agarrei as orelhas dele com toda a força.
-Figlio de una putana!  Nom cé rispetto per nessuno? Per nulla? Voglie vivere come un maiale? (Filho de uma puta, não tem respeito per ninguém nem por nada? Quer viver como um porco) Si sei viva! Mamma ti amazzava, sporco, farabuto, imbecile, stronzo di merda. (se a mãe estivesse viva te matava, porco e lá vai palavrão e tapas...)
Ele cai de joelhos gritando, pedindo “scusas” que de nada serviam. Eu estava cansado demais para continuar com aquilo. Parei e dei mais um tapa na cabeça dele. Exausto fui para quarto. Enquanto eu brigava com o Lipo o Léo mais esperto que o namorado já tinha corrido para o quarto e feito minha cama.
Quatro horas depois acordo e sinto um cheiro gostoso de comida e casa limpa. Desci usando um roupão aberto e uma cueca. Dos degraus da escada vi os dois sentados arrumadinhos parecendo college boys com as caras mais inocentes do mundo. O apartamento cheirava a limpeza. A mesa posta com requinte. Não pude deixar de sorrir vendo a cara daqueles safados de uma figa que esperavam a bronca de um pai rigoroso. Sabiam que eu estava puto da vida, sabiam que estavam errados. Ao me ver sorrindo o Lipo deu um suspiro aliviado e relaxou da posição de menino perfeito. O Léo abriu seu sorriso de garoto que sempre me encantou. Vendo os dois uma imensa ternura me invadiu o coração. Tinha ido ali para ver como iam as coisas, dar uma bronca pela prisão, falar do réveillon que eu planejava juntar todos nós na Vila da Toscana e contar-lhes da minha viagem que não teria data de retorno. Sei como o Lipo é trabalhoso e não queria deixar o Cado com todo o serviço da família. Sei o quanto ele adora o Lipo e passa por cima de tudo que o moleque apronta. Sempre se acaba de rir dos feitos do Lipo e me deixa furioso com isso. Mas eu não podia deixar as coisas soltas assim! Eu não teria paz deixando-o  soltinho em New York com tudo que estávamos eu e o Cado proporcionando a ele. Cheguei a sonhar que viajando pela Ásia eu veria noticias pela CNN de um maluco que teve um efeito de uma bomba nuclear e havia afundado a ilha de Manhattan ou derrubado o Empire States ou feito um buraco no túnel do Rio Hudson ou incendiado o Central Park ou destruído uma exposição no MoMa. A lista era imensa de desastres que o Lipo tem o talento natural de fazer apenas brincando. Seria um achado para a Al Qaeda.
Sentei na frente do sofá e tentei fazer uma cara séria. O Lipo começa.
-Vem comer Grandotte. Pedimos comida Thai. Viu como a casa tá show de bola. Até acendi um incenso no pro seu Bundinha.
-Pára de chamar o Buda de Bundinha!
O Léo sufocou um sorriso. Vei todo mansinho e sentou no meu colo, Enlaçou meu pescoço e se aninhou no meu peito como um menino que encontra o pai voltando da guerra.
-Meu Bigs! Tô tão feliz com você aqui!
O Lipo sacou o truque do namorado, afastou o Léo para uma de minhas coxas e sentou na outra fazendo o mesmo que ele. Me encheram de beijos. Me fizeram cócegas nas laterais do torso me fazendo finalmente sorrir com vontade e explodir em alegria de estar com eles. Jogaram-me no tapete, me imobilizaram e sorrindo começaram a tirar as roupas. De um salto me livrei dos dois. Havia caído em mim. Sabia que não resistiria aquele ataque por mais tempo. Precisava ser o chato primeiro. Precisava tentar pôr juízo na cabeça dos dois.
-Nem tentem seus malandros descarados. Tão pensando que sou o que?
-Você é nosso Grandotte. Disse o Lipo que estava lindo de peito nu e calcas jeans.
-Nosso Bigs! Disse o Léo que estava uma perdição de camiseta regata branca.
-Sentem os dois do lado de lá e primeiro de tudo vamos por os pingos nos is. E cadê as provas que pedi?
O Lipo tentando se defender disse:
-Grandotte temos 26 anos, cara! Você está nos tratando......
-Como moleques que eu sustento e que estão vivendo de graça na minha casa que estão tentando destruir.
-Pô Bigs, usar do poder econômico é mals! Não combina contigo meu rei! Disse o Léo com inconfundível sotaque e gírias soteropolitanos.
-Olha aqui vocês vão ouvir tudo que eu tenho pra dizer depois me dão as desculpas. Ok? Cadê a porra das provas?
Me deram as provas. Cada um com sua pastinha. Primeiro olhei as datas para confirmar que estavam todas ali. Depois fiquei de queixo caído ao perceber que a menor nota era um B – (equivalente a  nota 8 em nosso sistema) e apenas em uma delas! Fiquei todo orgulhoso dos meus lekes safados. Mas não demonstrei que minha vontade era de abraçar e rodopiar com cada um deles nos braços. Comecei a ladainha. Fingindo que era muito normal a quantidade de notas A naquelas provas.
-Lipo, Léo, mandei você s pra cá para estudarem, se especializarem na área de vocês. Tudo bem. Nisso vocês tão fazendo a parte de vocês. Estão estudando e pelo que vejo bastante. Mas puta que pariu. Vocês foram presos por uma maluquice idiota. Não se tocam que estão adultos e não podem ser pegos num flagrante bobo desses? Vocês estão recebendo um ótimo salário para estudar! Moram num lugar elegante no bairro mais sofisticado da cidade mais cara do mundo. Estão vivendo como príncipes!
Eles ficaram calados, eu continuei.
-Léo, meu querido, você sabe o quanto te amo e te admiro, Sei que é um batalhador. Ao contrario do que você disse não estou usando do poder econômico não! Estou querendo que caia a ficha de vocês e façam suas farras se cuidando melhor e respeitando uma casa que não é de vocês. Eu e o Cado fizemos isso aqui com muito carinho! Cado está sempre por aqui a trabalho. Vocês são nossos funcionários seus porras! Logo de serem pegos fudendo num parque publico, são flagrados pelo chefe de vocês na maior zona na casa deles. É  fora demais , um em cima do outro! Porra gente vocês sabem o duro que nós 3 demos para estar aqui! Lipo fratello mio! Tu sabes o quanto passei! E o que passei mio fratello foi estar longe de ti. Ficamos anos distantes para você ter todas as oportunidades!  Vocês melhor que ninguém vêm meus esforços para educar tantos quantos eu possa. Vêm os filhos das pessoas que trabalham conosco se esmerarem em comportamento e estudo para fazer valer o que têm comigo.Não deixem esta chance passar! Não se deslumbrem com o que temos agora! Tudo isso aqui é merda. Um tropeço financeiro meu e tudo isso aqui desaparece. Mas  fica apenas o que aprenderemos nessa história toda. Façam suas farras, trepem com quem quiserem, mas não percam o respeito pelo que estão construindo.
O Lipo disse-me com os olhos cheios de lagrimas.
-Tem razão Grandotte! Pensei que você viria com um papo de não faça o que faço. Falaria de grana. Mas você tá sempre certo cara. Vamos tomar mais cuidado com nosso comportamento e com sua casa. Perdoe a gente!
-Poxa Bigs! Essa foi de fuder vei. Sei que você confia e ama a gente. Vamos tomar jeito. Prometemos!
Voltei a falar.
-Tem mais coisa que quero dizer! Eu e o Cado estamos tentando terminar a reforma da ala de hospedes da vila da Toscana a tempo para que passemos todos juntos o Capo d’anno (Reveillon). Eu, o Cado, vocês o Rick e o namorado. Vou levar o babbo também. Lipão precisamos estar juntos esse capo d’anno , mas que nunca precisamos estar como babbo e você sabe que preciso de você. Posso contar com vocês? Sei que tem sua família no Brasil Léo, mas gostaria muito mesmo de ter meu caçulinha comigo.
-As férias de fim de ano são só por uma semana Bigs. Vou estar com vocês sim. Irei ao Brasil no Thankgives Day.
-Anche io fratello. Vamos estar junto com nosso babbo!
Eu disse.
-Ótimo. Tem mais uma coisa!
Depois do réveillon viajo para a Ásia e não sei quando vou voltar. Devo partir na segunda semana de Janeiro e penso que fico fora de seis meses a um ano. Lipo isso é principalmente para você. Pela amor di Dio, tenta não fazer merda, me deixa curtir minha vida um pouco. Sabe cara? Preciso viver pra mim. Quero conhecer e aprender o mundo. Bisogno di su ayuto fratello mio. Te prego! (Preciso de sua ajuda meu irmão. Te peço!)
-Poxa Grandotte! Te dou muito trabalho não é? Mas cara, não sei o que acontece, pareço um imã de desastres!
Sorri e chamei para perto de mim.
-Meu Lipo, eu te amo tanto que nem que você fosse o próprio Pesadelo eu te amaria menos. E tem uma coisa fratello sei que você me ama também. Sei que é um cara do bem. Tenho muito, mas muito orgulho de você Felipo. Você é a melhor coisa da minha vida! Sabe Lipo? Se nós ainda fossemos lavradores, se ainda penássemos de sol a sol no trabalho da terra, mas, eu tivesse você por perto eu continuaria sendo o cara mais feliz do mundo por ter você comigo. Você é doce, amigo, honesto, inteligente, realizou todos os meus sonhos. Você é minha metade fratello! É a causa e o fim de tudo que eu faço de bom.
E por fim o castigo.
Sei que voc6es vão tentar se comportar. Mas agora quero que incluam na despesas de vocês e isso saindo da grana de vocês ! As despesas com a manutenção do Loft. Pagarão as contas de água, luz, gás, calefação, telefone, internet e a diarista que a partir de agora virá duas vezes por semana e não uma só.
O Léo.
-Puta que pariu Bigs! Vamos viver pra sustentar isso aqui.
O Lipo.
-Pegou pesadão Grandotte!
Nada que umas duas calça Jeans dessas que vocês usando não pague. Bom, vocês têm a opção de sair de Tribeca irem morar no Brooklim ou no Queens por um quarto do valor. Mas se querem morar aqui vão começar a saber quanto custa. Se eu fosse vocês aceitava a oferta.  Morar no Queens ou no Brooklin não faz o povo abrir as pernas tão facim como aqui. E tem mais! Vou equipar o quarto daqui de baixo para vocês e a partir de hoje vocês vão deixar minha suíte e do Cado, livre, limpa e fechada.
-Lá se foi a hidromassagem, o banheiro duplo, o camão super king size. Disse o Lipo.
-Vocês vão sobreviver sem isso! Disse eu.  Isso vai durar até quando eu sentir que estão nos eixos. Ah! Mas um detalhe. Vamos sair amanhã pra vocês me comprarem uma bike nova. Se preparem! Deve custar uns mil e quinhentos dólares! Sei que o Cado mandou grana, espero que não tenham torrado tudo na farra, ou vão passar o resto do mês comendo miojo e nada de Starbucks, teatros, lugares da moda e festas com putos gostosinhos. Mas amanhã naquele suporte terá minha linda bike novinha.
Uma ultima coisa.
-Me fala onde fui que vocês pegaram aquele gostosim do carai que saiu daqui quando eu cheguei? Quero um pra mim também!
Eles se acabaram de rir. Não reclamaram mais, pois sabem que quando cismo com um castigo é melhor ficar quieto pra não piorar.
Terminada a sentença e vendo que eles já tinham aceitado o destino. Sorri e disse. Agora quero meus carinhos. Tava morrendo de saudades de vocês seus putos!
Eles vieram me dando o carinho e amor que sempre tive dos dois. Tiraram meu roupão e de cada eu tinha um deles me beijando. Quatro mãos passavam no meu corpo, eu com as duas tentava dar conta daqueles capetinhas que sabem trepar com uma felicidade de dar inveja a qualquer um. Deviam estar atuando bastante em dupla. Sincronismo perfeito. Não havia uma parte de meu corpo que não estivesse sendo beijada, alisada ou chupada.
O Lipo me fez ficar por cima dele e foi delicioso de novo sentir meu fratellino debaixo de meu corpo, sentir suas coxas grossas me segurando com firmeza, seus olhos me encarando com amor e volúpia, sua língua a todo momento desbravando minha boca num beijo insano. O Léo com sua boca poderosa, me lambia e mordia as costas, descia até a bunda e lá se demorava lambendo meu cu. Fazendo-me remexer sobre seu namorado meu irmão. Perguntei ao Lipo se não machucava o meu peso sobre ele.
-Não! Se você pesasse o dobro ainda seria meu Grandotte, ainda te agüentaria mexer tão deliciosamente sobre mim, sinto sua rola roçar na minha, tão dura quanto. É bom demais ter você assim!
Ele falava me olhando nos olhos com profundidade, eu me afogava naquele mar de azul claro, sua boca muita vermelha, é um sorriso em cada silaba. Sempre nos comunicamos quase telepaticamente, ele sabe o quero, eu sei o  que ele deseja. Senti sua  mão entrar com foca entre nós dois, senti quando ele segurou firme o cacete e de novo me sorrio enquanto o apertava. Eu deitei do seu lado com minhas sobre seu corpo para eu também ter o pau irmão na minha mão. E nos olhávamos com fraternidade e unidade. Assim ligados éramos uma célula única. O Léo entrou entre nós dois, meio ciumento, meio invejoso de nossa entrega um ao outro. Lhe fizemos carinhos beijando sua boca e pescoço.  Pegávamos no cacete dele e sorriamos de estarmos os três juntinhos. E me abaixei procurando a rola de mio fratello, ele se virou querendo a minha, o Léo se alternava misturando sua saliva a nossa. Eu tinha o cacete de meu irmão na boca e sabia que tinha o meu gosto. E sei que ele sabe que tenho o gosto dele. Somos o mesmo prato servido duas vezes, e duas vezes devorado com gula.
Olhamos os três ao mesmo tempo para o ringue de boxe. Sorrimos, levantamos e fomos nos jogar ali. Agora a luta seria para saber quem daria mais prazer ao outro. Lá nossos corpos viraram uma massa única, entrelaçados numa orgia de prazer, cada um tentando se entregar da forma mais livre ao possível. Como sempre eu e o Lipo riamos e conversamos. Falávamos o que queríamos um do outro, dizíamos juras de tesão, contávamos o prazer que nos dávamos.
Num movimento o Lipo me fez ficar de barriga para cima. Primeiro esfregou seu belo rabo na minha cara me pedindo a língua. E ali entrei com delicia. Como podia ser tão trepador e ter um cu tão apertado ainda? Enquanto eu lambia o Lipo o Léo me chupava a rola e vez ou outra beijava o Lipo que rindo gema sentindo prazer com minha língua. O Léo descia e enfiava o cacete do Lipo na boca. Uns minutos depois fez o Lipo ficar sobre meu abdômen e ele mesmo se fez ser chupado por mim.  O Lipo encapou o meu cacete e com o Léo segurando minha rola foi sentando devagar no seu irmão maior. Neste momento o Léo se alternava em receber meus carinhos anais e levantar-se a oferecer a rola ao Lipo.
Lipo se mexia cadenciadamente. Como novidade o Léo se sentou no meu peito, a rola do Lipo lhe roçando a bunda subindo e descendo enquanto me fudia o cacete e ele meteu esfregqava o pau dele na minha cara. O cacete do cunhadinho era uma delicia roçando meu rosto. Eu passava a língua tentando abocanhá-lo, mas era difícil com os movimentos fortes que o Lipo fazia, agora se apoiando nos ombros do Léo. Senti  o rabo do Lipo quase me estrangulando o cacete. Empurrei o Léo para fora de nos dois queria ver o belo rosto do Lipo se contorcendo de prazer. E vi seu gozo vindo junto com um sorriso. Mas eles nem pensavam em me deixar quieto. Vendo que eu não tinha gozado o Leo deu um beijo no Lipo e disse-lhe que era vez dele. Trocou a camisinha que me cobria e sentou no lugar do Lipo. Senti cada centímetro entrar nele, quando completamente dentro ele se abaixa e me beija. Diz-me.
-Agora vamos gozar juntos! Quero que me coma de quatro!
Sem sair de dentro mudamos de posição e comecei a entrar e sair já bombando. O Lipo me abraçava por trás e falava sacanagens no meu ouvido. Me lambia os ouvidos e mordia de leve meu pescoço. Ficamos assim vários minutos. Avisei ao Léo que iria gozar. Ele pediu para ficar de frango assado. Assim fizemos. Ele olhava para mim e para o Lipo, eu pingava como  uma esponja encharcada.
Gozamos os dois como bichos aos gritos.
Cai ao seu lado. O Lipo se jogou por cima de nós dois. Minutos depois estava todo animado. Falei.
Parem! Chega por hoje! Querem me matar?
O Léo diz.
-Vixe o Bigs tá pedindo menos! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
-Tenho três sem dormir direito seu moleque. E sei que se eu me deixar com vocês me tiram o couro e viro tapete. Vamos tomar um banho e sair para jantar.
-Sushi! Disse o Lipo.
Eu
-Sushi o caralho! Quero proteína e muita. Quero carne vermelha! Quero churrasco brasileiro ou argentino. Quero sangue! Sei que não vão me deixar em paz durante a noite, tenho que ficar forte.
Léo
-Falou e disse Bigs!

17 de fev. de 2011

NSP Cap 45......................Benguela, Angola, África!

Depois de deixar a reunião com o Alexander, visitar as obras do condomínio residencial, acertar detalhes do inicio das obras do Shopping, me certificar de que eu poderia ficar um mês sem enfrentar o calor e a poeira de Luanda. Estava doido para voltar para o clima de Napoli e partir para a Toscana e dar uma espiada nas obras da Vila assombrada.
Quando estava fazendo o check-out no hotel recebo uma ligação do Brasil que me informava que eu deveria ir com urgência a Benguela verificar a situação de uma fabrica de cimento que iria a leilão.
-Silvia!  Falei com o Ricardo sobre postergarmos essa idéia de comprar uma fabrica de cimento!
-Bem Matteo, então fala com ele. Mas a oportunidade me parece ótima.
-Me passa o Big Boss!
-Ele não está no escritório. Você incomoda de ligar pro celular dele.
-Ok!
Fiz a ligação.
-Buon Giorno Amore!
-Fala meu africano!
-Cado, que idéia é essa de me mandar pra Benguela! Achei que tínhamos dado um tempo na idéia de fabricar cimento por aqui.
-Teo tu sabes que os preços tão matando nosso orçamento!
-Entendo Cado, mas se meter a fabricar! Ainda penso que seria melhor uma joint-venture. E tem mais Cado, tô doido pra ir embora daqui, marquei com o arquiteto em Barberino, as obras lá já estão atrasadas, nosso Reveillon vai ser no meio de uma obra!
-Tadinho! Como sofre! Luanda, Reveillon na Toscana, Compras na Via Condotti.
-Não torra vei.
-Bom! Vou ser mais direto então. Isso é uma ordem! Esteja no Jantar em Benguela e veja se vale a pena o negocio. Entendeu?
-Sim senhor!
Que porra! O Cado quando cisma com um negocio! Troquei minha passagem no aeroporto. Uma hora mais tarde estava na província de Benguela. Dia lindo! Comecei a pensar que não foi tão mal conhecer a cidade. Muito simpática, na verdade mais bonita que Luanda, que parecia um canteiro de obras. Praias lindas. A firma tinha me reservado um Hotel chamado Praia Morena, fiquei meio sem graça, apesar do motorista me dizer que tratava-se do melhor hotel da cidade um 4 estrelas internacional. Respondi que preferia uma pousada na frente do Mar.
Segui o conselho do motorista e fui para o hotel que a firma me reservou, talvez fosse melhor um pouco de conforto para tratar dos negócios.
Já era esperado no hotel e me surpreendi com a decoração do hotel. Devido a simplicidade e  ar ingênuo da cidade pensei que o hotel fosse mais simples, mas era decorado com gosto internacional, ultima tendência fashion no ramo.  Me deram uma super suíte. Pensei na hora que fosse uma maneira do Cado reparar ter me mandado fazer algo que eu não queria. Mas o que não me passou desapercebido foi a extrema gentileza com que fui tratado, me senti Mandonna no Malauí.  Ia entrar no elevador quando o celular chama. Peço indicação de onde seria minha suíte, dou uma gorjeta para o Bell boy e peço que ele siga na frente. Fiquei no saguão para não perder no elevador. Era o Lipo.
-Que milagre! Faz dois dias que não me liga fratellino, tava com saudades. Va benne?
-Mais ou menos.
-Cosa Che?
-Grandotte tu podes me emprestar  USD 5.000,00 até o fim do mês.
-Estourou o cartão de novo?
-Também.
-Lipo que tá acontecendo?
-Tô preso!
-Cosa! Que foi que você fez?
-Pô Grandotte! Fui preso por atentado ao pudor. Só eu não o Léo também. Pegaram a gente trepando no Central Park. Só tenho cash pra pagar uma das fianças.
Dei uma crise de riso.
-Pô Grandotte! Ri não véi. A calefação aqui é uma merda e vô ficar pra sempre com esta prisão na ficha aqui nos Estados Unidos.
-Tudo isso pela fiança? Tu és muito babaca né? Deve ter dado o endereço de Tribeca invés do dormitório de estudante. Quis se exibir e se fudeu!  Pago a fiança do Léo que com certeza caiu na sua idéia idiota de fuder no meio do Park mais visitado do planeta.
-Sacanagem Grandotte. Vou mofar aqui até o cartão liberar um empréstimo.
-Paga a do Léo que ele resolve. Acho bom fazer o que tô mandando. Mais tarde ligo e quero falar com o Léo no celular dele. Hai capito?
-Ho capito. Va Bene.
-Te voglio bene fratello. Fode um preso gostosinho por ai, pra passar o tempo. KKKKKKKKKKKKK
Desliguei o telefone. Quase trinta anos me acabando com os apronte do Lipo, aprendi a ter mais calma com estas situações, além disso, tinha prometido a mim mesmo depois da morte da mamma que deixaria o Lipo se virar sempre que aprontasse das suas.
Subi imaginando aqueles dois malucos em pleno Outono nova-iorquino fazendo sacanagem e sendo pegos.
A gorjeta deve ter sido boa para o Bell boy que me esperava todo amável na saída dói elevador.
Uma bela suíte. Tirei terno, camisa e sapato espalhando pelo chão. Por um momento lembrei que se fosse minha casa a Estelita mandaria a arrumadeira pegar as coisas reclamando comigo. Dizendo que pareço um menino e que podia muito bem ficar minimamente vestido como todo mundo. Me surpreendi com o barulho da ducha no banheiro, ou sala de banho como dizem os portugueses e africanos. Pensei que o rapaz tinha deixado um banho semi pronto para mim e esqueceu de me avisar. Entro no banheiro e tive uma bela surpresa.
Um cara de uns 47 anos, corpo atlético, bunda firme e linda, braços fortes que esfregavam xampu numa basta cabeleira grisalha. Eu reconheceria aquelas costas largas mesmo que estivessem do outro lado do Atlântico. Falei.
-É a bunda masculina que mais gosto no mundo. Ta bem no meio do homem que amo!
Ele se virou sorrindo! Abriu os olhos verdes que devem ter deixado a praia logo ali perto morrendo de inveja da profundidade e suavidade que eles têm. Entrei no chuveiro ainda com as calcas e a meia. Queria-o em meus braços, sem explicação de como ele estava ali, sem palavras que me impedissem de beijar sua boca, sem atrasos que me deixassem por um segundo mais longe dos braços que são o centro do meu universo. Sua língua na minha fui um encontro doce e salgado. Sua pele encontrando a minha parecia cantar de alegria. Nossas coxas se cumprimentavam abraçando-se de forma serena como se precisassem de tempo para matar a saudade de cada poro, nossas mãos passeavam por nossos corpos, nossas costas, nossos braços.  Pôr um momento deitei minha cabeça no seu ombro e fiquei quieto ali, abraçado ao seu corpo Minha cabeça apoiada no ombro de meu amigo, meu irmão, meu homem. Ombros que são meu refugiam, minha igreja. O melhor e mais belo, sereno, ardente e seguro lugar em que já estive. O corpo do Ricardo. Sentia seu cora,ao batendo descompassado tentando entrar no ritmo do meu, mas meu cora,õ naquele momento era um Mustang solto numa pradaria imensa correndo veloz e alegre, feliz de existir, de estar ali naquele lugar. E  levantei a cabeça par olhar-lhe os olhos que são praia. E disse a ele.
-O verde que me escravizam. Os olhos que amo! Seus olhos são minha praia.
-Os seus são meu Oceano. Respondeu ele.
Sorrimos, e sua boca aberta foi oportunidade de um novo beijo. E meus dedos seguravam sua cabeça se perdendo nos cabelos que para mim eram como uma juba de um Leão rei. Não queria que tivesse fim! E falei.
-vem pra cama comigo! Quero te namorar! Quero ficar abraçado contigo e não dizer nada, depois quero contar cada segundo do que vivi enquanto você não estava do meu lado, e vou querer saber de tudo que se passou com você também.
-Nós nos falamos todos os dias meu menino!
-Per telefono! Voglio tenere  Il  calore di su presenza! (Por telefone! Quero ter o calor de sua presença!)
-Sabe que em italiano faço tudo que você manda.
E ele me deu a mão que um oceano não me faz largar, que um universo não me faria. O enxuguei com carinho e ele fez o mesmo comigo, juntos passamos hidrantes em nossos matando a curiosidade de saber em que estado estava o corpo um do outro. Falei.
-Essa putinha que se diz atriz que tu estás comendo não te trata direito, você emagreceu uns dois quilos!
-E a culpa é dela?
-Tenho certeza!
-Bobo!
-Bobo nada! Vou te deixar em forma de novo e se te vires outra vez magro, corto essa sujeita de sua vida.
-Ta bem meu menino, que posso fazer diante de suas ordens?
-O mesmo que eu faço quando recebo uma sua. Obedeço!
Na cama recebi sua cabeça no meu peito, abracei seu torso. E ele se aninhou como sempre fazia, jogando suas coxas por sobre as minhas, recebendo meus dedos em seu cabelo no mais tradicional dengo baiano, um cafuné. Ele passeava com os dedos por meu peito e pentelhos, brincava com meu cacete e minhas bolas. De repente lembrou que tinha um champagne  e correu para me servir uma taça. Disse-lhe que só brindaria com ele, não queria beber de novo.
-Você tem aprontado então? Perguntou-me
-Pouquinho só.Ontem cai na farra com o alemão que te falei que havia contratado substituindo aquele francês chato.
-Não me vai dizer que traçou o alemão?
-Ele que provocou!
-Você não vale nada Teo!
-Apenas uma rapidinha! O cara ia duvidar de minha masculinidade! Se não pego ele, com certeza o sujeito teria me enrabado.
-KKKKKKKKKKKKKKK. Como vão os negócios em Luanda.
-Pretty Good! Seu garoto sabe levar as coisas como devem ser levadas.
-Tenho certeza disso!
O celular dele tocou.
-Desculpa amor! Pensei que tinha desligado!
-Atende!
Dois minutos depois ele volta com a informação que já tinha.
-O Léo e o Lipo foram presos fudendo no Central Park.
-Soube quando cheguei. Mandei o Lipo liberar o Léo e o Léo mesmo se viraria para tirar o Lipo.
-Mandei depositar grana pra eles. E o Léo levou a bronca que seria dos dois.
-Eu tava jogando duro Cado! Tu não devias ter mandado a grana. Os caras tão usando nosso loft em New York, tão com curso bancado pela firma, várias despesas pagas e aprontam uma besteira dessas!
-Teo! Não são apenas seu irmão e cunhado que estão presos! É um advogado e um administrar de nossas empresas, para de pensar nos seus como apenas seus.
-Tem razão! Tu sabes como sou passional em relação a eles. Mas essa grana vai ser descontada dos salários deles, essa não pode ficar impune.
-Esse é meu sócio pão duro.
-Cado! Quero falar contigo sobre a viagem para a Ásia que farei, e quero que me ouça numa alternativa que estou criando para te desafogar um pouco. Você ta trabalhando demais sem minha pessoa para dividir as coisas no Brasil.
-Fala Teo, mas não vai me arrumar um monte de babás, por favor! Trabalho com amor, você sabe que gosto do que faço.
-Escuta! Tenho falado com o Rick bastante sobre ele ficar responsável por alguns negócios meus. Falei  com ele sobre ele finalmente compartilhar contigo da administração geral. O cara é  seu herdeiro e tá mais que na hora dele se misturar m nossos negócios. Confio no Rick, ele tem feito um belo trabalho nas fazendas, é um bom administrador. Você vai ter seu filho no lugar que sempre sonhou, do seu lado nos negócios. Mas me promete que vai ser menos duro com o cara1 Não vai ser o sabe tudo, arrisque mais com ele. Não seja só o chefe seja pai. Ele tem talento e vai se sair bem se você deixar.
-Teo! Você tá me dando o melhor presente que podia me dar.
-Também vou me dar bem. Confio de olhos fechados no Rick, com nós dois dando uns toques nele e ouvindo as suas idéias tenho certeza que será bom para nós três. Meu enteado não é só gostoso como o pai. Você o educou com tudo do melhor que podia e ele é muito perspicaz em alguns assuntos. Pega rápido as coisas e tem boas idéias. E não vive mais de se exibir em festas como o pai tá começando a fazer.
-Sabia que ia levar bronca.
-Tô dizendo apenas para você se cuidar melhor. Não adianta tanta grana sem saúde. Eu te amo Cado não me deixa sem você, eu não agüentaria!
Olhei com olhos de cachorro na chuva, sempre funciona. Rápido ele topou tudo que eu tinha pedido.
-E sobre a Ásia? Disse ele.
-Penso em ir após o Reveillon. Mas quero me prometa estar comigo ao menos uma vez por mês. E que se eu for necessário  você me chame onde quer que esteja. Sei que vai cuidar do Lipo e do Léo.
-Já te falei que estou do seu lado pra qualquer decisão que tomar. Vou cuidar de todos seus afetos. O Lipo, o Léo, a Estelita e toda aquela cambada de puto que te ama.
-Não esperava outra coisa de você. Mas tem um assunto que precisamos falar. Vou procurar nesta viagem uma barriga pra gerar meu filho.
-Já falamos sobre isso e te disse que não estou preparado para ser pai de novo.
-Eu vou ser pai, vai ser minha porra que vai fazê-lo. Me perdoa Cado mas você tá sendo egoísta comigo. Egoísta não! Filho da puta mesmo! Você tem seu filho! Ajuda-me a ter o meu! Estou perto dos trinta anos. Sabes que sonho em ser pai. Preciso que esteja do meu lado. Seja um bom segundo pai. Dinheiro não me falta e sabes que dou as coisas o tempo e atenção que cada coisa merece. Não vou me matar construindo fortuna para deixar pra ninguém, preciso ter minha descendência, preciso saber que um pedaço de mim irá ficar e gerar outro.
-Você é novo Teo tem tempo ainda!
-Tempo o caralho! Vou jogar bola com meu filho, estando eu velhinho! Ou vou bater nos pretendentes de minha filha com uma bengala. Quero ser novo com ele ou ela e quero crescer com ele ou ela.
-Ok, Teo você tem razão tenho sido egoísta. Às vezes me esqueço nossa diferença de idade, você na verdade está começando sua vida, eu estou na metade da minha.
-Pode parar com esse drama de “eu sou velhinho e você um garoto”. Quero que esse filho seja nosso, quero que você me ensine a ser pai. Quero que juntos erremos e aprendamos. Vem comigo meu amor nessa aventura!
-Você sabe que está fazendo 9 anos que estamos juntos? Alguma vez você já deixou de conseguir o quer de mim?
Puta que pariu! Por isso ele tinha atravessado o Atlântico. Eu havia esquecido que ele tem mania de datas. Menti.
-Claro que lembrei de nosso aniversario. Ia te convidar para jantarmos a noite.
-KKKKKKKKKKKKKKKK. Você mente mal demais. KKKKKKKKKKKKK. Eu te amo meu menino. Obrigado por estar comigo todos esses anos. E sabe de uma coisa? Sem perceber você me deu o maior presente que podia. Vai pôr meu filho junto de mim. Como posso te negar o desejo legitimo que você tem de criar o seu próprio filho? Serás o maior e mais bonito pai do mundo.
-E gostoso! E vou arrumar um ovulo de uma mulher mediterranea!
-Isso mesmo o paizão mais gostoso do mundo! Mas faça sua viagem, demore o tempo que achar necessário. Eu estarei sempre contigo. Quanto a barriga de aluguel e o ovulo. Acho que você pode ir pensando no assunto enquanto viajando. Treinado você está, sei muito bem como é pai de seu fratello.
Você vai ser pai comigo?
-Te prometo que será meu segundo filho.
-Te amo demais cara!
-Eu sei, sou gostoso também. KKKKKKKKKKKKK
-Isso você é mesmo. Mas, mais que isso você é o prumo de minha vida Cado. Você é meu chão e meu céu.
-Já que você esqueceu nosso aniversário. Eu que sou o Caxias do casal, reservei a melhor mesa de um restaurante na Praia Morena. Uma belíssima praia local. Achei um chef de cuisini baiano que me prometeu o melhor bobó de camarão que já comemos. E depois, na sobremesa trouxe a cocada de coco verde da Estelita que me mandou num enorme isopor que dá pra alimentar toda áfrica. A também trouxe sorvete de Tapioca e siriguela da sorveteria da ribeira. E lá na praia vou te dar a ultima surpresa.
-É impossível não te amar.
-Você merece meu garoto de olhos azuis. Agora vem cá e me agradece tudo junto.
Puxei ele junto a mim e amei como sempre. Sempre como se fosse a primeira. Sempre como se pudesse ser a ultima.
A noite vesti uma roupa que sempre me lembra a Bahia. Benguela me deixou mais que nunca saudoso de Salvador e seus cheiros de mar e dendê, sua gente negra e risonha. Vesti uma calça de judô e uma bata de algodão, nos pés a brasileiríssima havainas, nos dedos e pulsos toda a prata que deixaria qualquer negra baiana roxinha de ciúmes. Cado estava vestido bem parecido comigo. O carro nos deixou no inicio da Praia e o Cado me disse que seguiríamos a pé dali para aproveitar a bela noite que fazia. Pusemos as sandálias entre os dedos, arregaçamos as calças e seguimos molhando os pés na água morna do Atlantico. Na frente do restaurante fomos recebidos por uma menina que trazia nos braços um grande buque de rosas brancas.
Eu disse.
-Voce lembrou de todos os detalhes!
-Como poderia esquecer de nossa Iemanjá? Talvez a África seja o lugar mais perto da casa dela. Vamos juntos agradecer o presente que nossa história é para nós dois.
Como dois bons baianos, entramos até a altura dos joelhos. Benzemos-nos pedindo licença para entrar em suas águas e batemos palmas saudando a mãe dos homens e dos deuses, a mãe das cabeças, senhora das águas.
- Odoiá Iemanjá, Rainha do Mar!
Tirei uma das pulseiras que trazia nos pulsos e ofereci para ela, pedindo prosperidade, a manutenção do meu amor e paz e esclarecimento no ano que dali a umas semanas se iniciaria.
Depois de recebidos com muito carinho pela proprietária, uma negra linda que exibia dentes de um branco marfim, me lembrou Dadá a cozinheira rainha da Bahia que a todos recebe chamando de negão, seja ele de que cor for. Depois se apresentou o chef que faria nosso banquete. Sorridente disse que ficou enciumado da cocada de coco verde da Estelita, mas disse que provou e  entendeu o por que dela ter atravessado meio mundo. Nossa mesa era na areia da praia, na verdade um tablado onde comeríamos sentando em almofadas. Por um segundo me lembrei da fatídica noite em que num jantar em parecido em Praia do Forte quando declarei meu amor para o Cado, fui respondido com um convite para trabalhar para ele namorando seu filho. Eu declarei meu amor e fui tratado como prostituto naquela noite. Mas isso vai muito longe, e graças aos Deuses meu amor foi mais forte que meu orgulho. Isso fez toda a diferença na minha vida.
Sentamos em deliciosas almofadas com motivos africanos.  Chegou um imenso prato de barro fervendo ainda e exalando um cheiro de fazer os Orixás descerem a terra com um pratinho nas mãos. O Cado nos serviu vinho que imediatamente eu soube ter vindo Juno com ele, direto de sua adega especialíssima. No brinde ele me disse.
-Sabe por que escolhi Benguela?
-Aqui é muito aprazível, me faz lembrar a Bahia.
-Também por isso. Mas não se você sabe, Foi daqui que partiram os negros que fizeram da Bahia o que ela é hoje. E tem mais um detalhe. Olhe na sua frente em linha reta na direção do mar.
-Água sem fim.
-Não, tem fim sim! Em linha reta Matteo! Estamos na direção de São Salvador da Bahia nossa terra que você e eu tanto amamos. Quem sabe esta praia não esta em linha reta também com o seu Porto da Barra, seu canto querido na Bahia.
Parei por uns minutos olhando fixo o mar, semicerrando os olhos como se forçando fosse possível ver a orla que amo de todo coração. Sem querer uma lagrima desceu pelo meu rosto, passando pela língua a lambi sentindo o salgado dela como se fosse da praia minha. De meu Porto da Barra.
-Uma linha direta com a praia de mio cuore, um país que é mãe de nossa terra, presentes para Iemanjá, um belíssimo prato de bobó de camarão, cocada de coco verde, sorvete de tapioca e siriguela. Você me trouxe a Bahia de presente! Obrigado Cado!

13 de fev. de 2011

NSP Cap 44 Um alemão pra lá de safado!

Volto de onde parei antes dos devaneios do momento presente.
Falava que estava na África, mais precisamente em Angola. Temos por lá um grande projeto imobiliário e acabava de fechar um belo contrato para construção de um Shopping Center. Uma verdadeira mania nacional em Angola. Eu havia convidado um engenheiro alemão para participar do projeto em substituição a um francês que batia de frente comigo em questões financeiras. Coisa normal no inicio, mas que com o tempo tornou nossa parceria uma coisa chata e aborrecida, até o dia que o mandei tomar no cu em bom português, italiano, francês, inglês e alguns dialetos que aprendi em Luanda. O alemão tinha sido bem indicado, expert no tipo de construção que faríamos, além disso, tinha tempo suficiente em Angola para saber dos erros e acertos já cometidos por empreiteiras internacionais. Tinha tratado com Herr Spatzzer apenas por computador e telefone. Ele tinha refeito os cálculos estruturais do projeto e sugerido algumas mudanças.  Até ai tudo bem. Nos demos bem. O cara tinha uma visão de custos muito parecida com a minha. Soluções simples, idéias inovadoras, um engenheiro com entendimento e compreensão da arquitetura. Coisa rara entre engenheiros. Pode parecer frescura para leigos, mas a arquitetura e ambientação num projeto deste porte são essenciais para o sucesso desse tipo de empreendimento deste.  A medida exata é uma bela e moderna arquitetura com um custo e segurança de deixar babando qualquer engenheiro.
 Para fechar detalhes fiquei um dia a mais em Luanda para esperar o retorno do Alemão que estava se demitindo do seu atual empregador em Moçambique e viria se estabelecer em nosso escritório e de novo em Luanda.
Como todo alemão que se preze o cara chegou na hora exata apesar do transito caótico estilo Far West de Luanda. Me surpreendi com a juventude dele, não havia prestado atenção a detalhes de sua ficha pessoal, havia me concentrado em seus feitos de trabalho e suas idéias sobre o projeto. Sua voz era potente e amigável tipicamente um bávaro. Nascido em Munique, filho de gerações de engenheiros. Para minha surpresa não só a voz é bela. O cara é simplesmente um monumento em honra a como podem ser belos os de cabelos negros de origem germânica. Nem falo moreno, o que seria o certo, já que tem os cabelos e olhos negros. Como a maioria dos brasileiros, eu costumo associar a palavra moreno a tom de pele e não ao pêlo. Pois bem! O tal bávaro é moreno de pele branca, avermelhado pelo trabalho ao ar livre, nem alto nem baixo, deve ter  1,78 mt, corpo forte e muito largo, tipo troncudo, ou como digo sempre, taludão, todo grossinho.Boca muito vermelha e carnuda sombreada por um bigode cheio e mais claro que o cabelo de corte militar, daqueles que ficam arrepiados quando cortados rente,  usa barba rala deixada a numero dois mas muito bem cuidada, tem olhos grandes e que encaram o interlocutor quase com audácia de quem sabe o que vai dizer assim que chegar sua vez. Começa sempre a falar com um grande sorriso nos lábios como que sabendo que com isso atrai um aliado. Um rosto anguloso e extremamente másculo, suavizado por um nariz quase feminino de tão perfeitinho e arrebitado. Assim que nos encontramos e me levantei da cadeira ele brincou com minha altura e porte dizendo que jurava que nunca mais discordaria de qualquer coisa que eu dissesse. Era fim de expediente e o convidei a tomar uma bebida num bar de estrangeiros no hotel internacional em que nos hospedávamos, depois que discutirmos os detalhes de trabalho.
Nunca convide um bávaro para beber! Eles não param. Só ficam meio altos após um caminhão pipa de cerveja. Em compensação cantam, brincam e dançam bastante antes de fazerem você cair em coma alcoólico. Nunca ri tanto numa noite como com aquele sujeito bonachão que longe do escritório parecia ter nascido num barril de cerveja. A certa altura da bebedeira lógico que minha libido ia a mil cada vez que recebia um abraço e sentia próximo ao ouvido sua voz poderosa de barítono cantando horríveis canções alemãs. O cara fez chineses, americanos, franceses, ingleses e canadenses do bar o seguirem num trote louco rumo ao Valhala dos ébrios e possuídos pela alegria engarrafada ou em copos. No meio da madrugada ele de repente me chama para ir embora. Descendo o elevador o tal do Herr Alexander Spatzzer me segurava, pois eu realmente estava meio bambo. Ele  tira o cartão de minha suíte de meu paletó e diz que vai me deixar na cama. E mesmo eu estando bambo percebi nele um olhar predador que eu conheço muito bem, já o vi no espelho pregado em meu rosto. Nessa hora tentei me concentrar e me pôr de forma segura sobre meus dois pés, olhei pra baixo e falei em alemão pro sujeito.
-Cuidado com o que tá passando na sua cabeça!
Essa autoridade não demorou muito, pois, como dizem. Quanto mais alto, maior a queda. Não sei se os baixinhos sentem isso quando bêbados, mas eu vejo o chão a quilômetros de distancia de mim quando estou borracho.
Acabei apoiando minha cabeça em seu ombro e pude quase ouvir o pensamento que passou na cabeça do safado do germano. Uma coisa tipo “esse tá facinho”.  Ao mesmo tempo em que passava na minha  “se esse alemão me comer vou matar ele quando acordar da bebedeira”
Chegamos à minha suíte e ele brincou sobre o tamanho dela me perguntando onde era o banheiro. Disse que eu precisava de um banho. Realmente eu estava precisando de uma banheira cheia de gelo pra tentar me salvar e ter o mínimo de sobriedade pra saber o que fazer quando o sujeito viesse pra cima.
Sentei na beira da banheira e sentia o jato frio da ducha pingando nas minhas costas, ouvia o barulho da banheira enchendo. Tropegamente tirei  a camisa, desabotoei as calças. Enquanto isso sentia as mãos brancas e decididas do Alexander me ajudando em cada movimento, na verdade eu não percebia se quem tirava minhas roupas era eu ou ele. Na hora de tirar os sapatos e as meias, quase cai pra sempre no mármore frio do banheiro. Fui seguro pelo colega, ou melhor, pelo Lobo Mau que estava ali a minha espreita. Me apoiei com as duas mãos na parede onde ficava a ducha, numa tentativa de me manter ali pra sempre ou até estar totalmente cônscio de mim de novo.  Mesmo com o rosto completamente debaixo d’água e vendo o mundo ainda meio que retorcido, percebi o olhar safado dos grandes olhos negros do alemão me percorrendo cada centímetro do corpo. Tentando ganhar tempo pedi-lhe que ordenasse um café árabe bem forte na governança. Cinco minutos depois ele aparece com uma caneca nas mãos e um sorriso na cara vermelha. Tomei o café de um gole sem sentir a quentura talvez devido a ducha forte e fria. Assim que dei a ultima golada era de novo senhor mim. O café quente e forte e a ducha gelada tinham me trazido de volta. Mas eu fiquei na minha. Queria ver até onde ia a petulância do baixinho. Então provocando-o,  perguntei-lhe com a cara mais safada que pude conceber se não iria se banhar também. Antes de eu terminar a frase ela já estava tirando os sapatos.
-Que safado! Pensei. E pensei também. O sujeito tá pensando que está lhe dando com um inocente de cu sem dono.
Na hora que ele entrou todo animadinho de pau meia bomba e tentou me agarrar por trás, ele percebeu que eu já era senhor de mim, pois, num movimento ninja fiquei de frente pra ele e o virei de costas pra mim. Com meus braços em volta de seu corpo o segurando de forma firme eu disse-lhe ao ouvido.
-Te falei pra ter cuidado com o que passava na sua cabeça! Agora vai ter que me mostrar o que você quer de mim.
Ele não respondeu, mas senti sua mão se chegar para trás, agarrar meu cacete e dizer em alemão.
-O que eu quero está aqui mesmo.
Carinha decidido do caralho! Não teve jeito! Fiz o mesmo que ele. Agarrei com a mão livre sua rola grossa e rosada. Sentia seu corpo largo se esfregar no meu. A água gelada fazia nosso roçar quase colar e fazer barulhos engraçados quando tentávamos nos esfregar. De repente ele se vira e me puxa pela nuca para sua altura, me tasca um beijo metendo sua língua com fúria na minha boca. Eu senti o roçar árido de seu bigode na minha pele. Com meus braços ao redor de seu corpo eu sentia seu corpo forte,  sentia os dele tentando me apertar próximo ao seu corpo. Ele continuava a falar alemão. De repente eu tive uma crise de riso. Não sei por que uma frase dita por ele me fez lembrar a musica cantada pela família Von Strapp no musical da Noviça Rebelde. Era como se ele estivesse cantando Edelweiss. Não tive coragem de dizer pra ele, apenas disse que eu meio alto ainda estava me perdendo no alemão, pedi que ele falasse em inglês. Ai a coisa ficou mais esdrúxula ainda, pois o acento dele é muito divertido aos meus ouvidos. Resolvi parar de prestar atenção ao que ele falava e partir para os trabalhos práticos que mereciam mais concentração e tava gostoso pra caralho! Ao mesmo tempo eu pensava.
-Puta que pariu lá vai eu fuder com um colega de trabalho! Depois pensei.
-Sabe de uma? Depois que eu gozar umas duas vezes eu penso nisso com mais calma! Afinal pensar e trepar o mesmo tempo é uma merda. Se liga mané! Se concentre e faz o que tu gosta mesmo de fazer! Trepar com gosto e prazer.
Até hoje não lembro se pensei tudo isso ao mesmo tempo e até com rima, ou se fui agregando detalhes com os dias passando. Coisas do álcool no juízo. Mas voltando a foda, prossigamos.
Nossa diferença de altura estava causando certo desconforto, em minha coluna e creio que no pescoço do sujeito. Se bem que tava gostoso sentir a rola dele entre minhas coxas e meu cacete batendo acima de seu umbigo.  Mas ele não dava sinais que queria sair dali. E eu tinha certo receio de sair do abrigo frio da água gelada com paura (medo) de deitar na cama e sentir a danada rodar como um carrossel infernal. Sentia a água da banheira chegando no meio das minhas canelas. Pronto! Era ali. Agarrei apertado o corpo forte do mocinho e fui abaixando com ele agarrado a mim. O baixinho que na verdade não é baixinho, é todo condensado, pesado que só ele. Pude sentir seu peso sobre meu corpo. Ele pôs minha rola entre suas pernas e roçava as sua nas minhas coxas. Parecia estar se deliciando tanto quanto eu em beijos que a qualquer pessoa que estivesse nos vendo deviam lembrar dois estivadores num amasso ancestral de fome e volúpia. Passei  minhas mãos com força sentindo sua pele lisa e branca deixando no caminho um rastro vermelho.  Com a palma das mãos abertas as enchi com uma bunda forte e redonda. Gostei muito daquele lugar. De repente senti uma mão afastando as minhas dali. Olhei sério pra ele.
-Que porra é essa?
-Minha Bunda não! Disse ele.
-Não entendi? Estás dizendo que não posso pegar na sua bunda cara?
-Seu macho!
-E eu sou o quê? O namorado da Barbie? Larga de viadagem cara! Você começou agora vai terminar do jeito que eu gosto que termine.
Devo ter falado com certo tom violento, pois ele me pareceu assustado e imediatamente me perguntou.
-Matteo. Estamos nos divertindo numa boa, tu não vais me forçar a nada não é?
Outra crise de riso! Dessa vez ao menos serviu para relaxar e fazê-lo rir comigo. Entre sorrisos disse que ele precisava ver a cara dele. Parecia que eu estava prestes a estuprá-lo .
Ele disse.
-Mas cara você falou muito bravo!
-Porra véi a gente está aqui no maior amasso e você vem dá uma de donzela virgem! Não pega aqui, ou ali. Ah safado larga de frescura!
-Mas é que ....
-Cala boca e mostra o que essa boca sabe fazer. Tô doido pra sentir esse bigode roçando meu cacete.
A risada deve ter feito mais efeito que a voz dura que fiz, pois, o moleque imediatamente se abaixou a altura de meu cacete e com ele entre as duas mãos começou a passar a língua de forma deliciosa como se estivesse chupando um sorvete. Eu abri mais as pernas dando espaço para ele encaixar-se entre elas e ficar mais tempo me provocando daquela forma deliciosa. Eu gemi de tesão e fazia carinho forçando sua cabeça a engolir com urgência meu cacete que parecia que ia estourar na mãos dele. Mas o safadinho sabia provocar como ninguém. Não vendo outra maneira de apressar o processo e doido de excitação fiz com que ele ficasse em posi,ao de 69 comigo e tive batendo na minha cara uma bela rola duríssima, grossa e de cabe,a muito rosada, um cacete bonito da porra! Com pêlos baixos quase lisos e muitos pretos na pele muito branca, veias quase invisíveis que desenhavam delicadamente caminhos que lembram mapas em todo o corpo da rola que pulsava de tesão. A cabeça rosa é quase redonda e brilhava de tão dura. Apertei levando-a minha boca e passei a fazer-lhe os mesmos carinhos que ele me aplicava. Tentávamos nos agarrar enquanto tínhamos nossos paus nas boas um do outro. Ele gemia como um condenado e  me deixava mais pirado ainda ouvindo sua voz gemer como macho no cio.
Abri os olhos e vi um belo rabo brancão com pelos escuros e poucos. Um cu rosa escuro que piscava com a excitação provocada por nós mesmos. Pensei em pôr o dedo ali, mas depois do piti de menina moça de minutos antes achei melhor ir com calma. Agora minha meta era fazer aquele rabo pedir rola. Tirei a rola da boca e fui descendo com a língua pelo corpo dela bem devagar fazendo ela saborear cada milímetro. Cheguei ao saco de bolas médias e muito perfeitinhas que pediam de um saco frouxo e quase sem pêlos, passei devagar pela ligação entre o saco e cuzinho que me aguardava cada vez piscando. Aquele olhinho se abria e fechava me deixando alucinado de vontade de estar dentro dele. Abri delicadamente com as mãos separando as nadegas  me expondo aquela entrada do paraíso. Senti que ele parou por alguns segundos e dei uma mexida no meu cacete como que pedindo mais de sua boca, ele voltou ao trabalho. Passei a língua devagar, mas de maneira decidida rodeando a entrada, senti as piscadas aumentarem e ao mesmo tempo ouvi um gemido rouco. Fui entrando com a língua enquanto apertava com as mãos suas nádegas firmes. Podia sentir os músculos de sua bunda com cada dedo que a apertava. Sentia ele se abrir a cada movimento meu, seus gemidos passaram a ser de forma mais intensa e notava um leve movimento que a trazia de encontro ao meu rosto. Em pouco tempo o safadinho branquinho já rebolava deliciosamente em meu rosto e me falava.
-Não para Matteo! Não para.
Eu pus minhas mãos em quase o puxava para mais perto de meu rosto e cada vez mais enfiava a língua simulando uma penetração. Sentia que a cada entrada minha ele se esmerava mais na mamada que me proporcionava, Eu movimentava meu quadril como se o estivesse fudendo sua boca e ele sugava de forma segura. O Cara mama gostoso demais. Mama como só um homem sabe mar outro homem.
Ficamos assim algum tempo e nossos movimentos estavam quase violentos. Nossos gemidos e urros eram quase gritos roucos que ecoavam no banheiro recoberto de mármore branco, nossos movimentos agitavam a água que se espalhava como uma inundação. Foi ai que ouvi o pedido mágico.
-Me fode Matteo!
-Tá querendo rola não é alemãozinho gostoso?
-Me fode cara.
Eu sorria de forma maliciosa. Ele separou de me mamar e se voltou ficando de frente pra mim deitado por cima de meu peito. Passou sua mão por meu rosto, me deu um beijo forte na boca e me disse.
-Você é filho da puta. Vai me descabaçar man! Quero você me comendo gostoso.
Tirei ele de cima de mim e me levantei. Fiquei de pé ao lado banheira, quando ele ficou de oelho meu cacete bateu como um chicote no rosto dele. Segurei-o pelas orelhas e brinquei fazendo com que ele não conseguisse tornar a engolir a cabeça que tanto desejava sua boca. Logo depois segurando pelas duas orelhas fui metendo de forma lenta cada centímetro que ele conseguia engolir. Meu pau ficou pingado sua baba. Peguei uma camisinha e pedi que ele me vestisse. Ele disse.
-Vamos pra cama!
-Não! Vou te comer como um puto! Como meu puto gostoso! Quero você aqui mesmo. De pé.
Com firmeza o levantei da banheira e o pus apoiando suas mãos na beirada da banheira. Mandei que com uma das mãos ele se abrisse pra mim, e assim ele fez.  Pincelei minha rola na entrada do rabo que piscava e cada toque meu ele gemia e rebolava de forma deliciosa. Forcei de uma vez só a entrada e ouvi da parte apenas um gemido mais alto. Segurei-lhe as ancas e comecei a entrada. Não senti de forma nenhuma que ele tentava escapar. Eu sabia que devia estar doendo. Mas o branquelo é mais macho que eu pensava. Aguentou minha entrada como pouquíssimos já o fizeram. Eu entrava um pouco e voltava ao inicio, cada vez que voltava entrava mais um pouco. Em pouco tempo ele estava acostumado e forçava para trás cada vez que eu ia à frente. Aumentei o ritmo e ele me acompanhava. Nosso suor se misturava a água do banho que acabáramos de tomar. Eu via gotas de meu suor pingar nas costas do Alexander. Minhas coxas batiam com as deles fazendo barulhos do choques de nossos músculos. Ele me pedia força ao mesmo tempo que eu sentia seu rabo que devia ser virgem pois era muito, mas muito apertado, quando ele apertava o esfíncter sentia meu pau quase ser esmagado por ele.
Eu a chamava de gostoso e ele pedia que o fudesse mais.
Cansado sentei na borda da banheira e ele imediatamente veio pra cima de meu colo e com as próprias mãos me pôs dentro dele. Desceu me apertando deliciosamente. Ele me olhou firme nos olhos, agarrou minha nuca e tascou um puta beijo, eu o apertei nos meus braços. Estávamos suados, um cheiro forte de macho se espalhava pelo ambiente. Nossos movimentos se cadenciaram. Dessa forma estávamos a beira do orgasmo. Ele me apertava dentro dele e rebolava veloz em cima de mim, eu o ajudava nos movimentos com as mãos.
Gozamos aos urros de urso, deixando marcas em nossas peles. Sem medir nossa força na hora do gozo havíamos deixado marcas vermelhas em nossa pele.
Ficamos abraçados por um tempo esperando nossa respiração voltar ao normal. Depois ele saiu lentamente de cima de mim e deitou no chão molhado de suor e água de nosso banho. Eu tomei uma ducha, fiquei de pé diante dele que ainda deitado arfava de forma compassada. Abaixei e dei um beijo mais terno como lhe agradecendo a belíssima foda. Voltei para a suíte deixando-o no piso do banheiro e me joguei espalhando-me na cama king size que havia testemunhado nosso prazer observando pela porta do banheiro.
Acordei sozinho na suíte imensa do hotel. Tomei café já semi prono para o trabalho. Passaria no escritório para acertar os últimos itens de uma reunião que o Alexander teria na prefeitura de Luanda. Ouvi a campanhia tocar e abri a porta já com o paletó nos ombros. Vi o rosto meio sem graça do Alexander tímido demais para me encarar. Fomos juntos até a porta do elevador. A forma como o Alexander estava se comportando me deixou meio puto. Eu havia feito tudo que quis, achava que ele também. Resolvi tomar uma atitude e não fazer aquela cena de “nada aconteceu”. Antes que o elevador parasse em nosso andar eu o peguei pelo braço e o levei de volta a minha suíte. Antes de fechar a porta o encostei à parede e com as mãos o fiz fixar seus olhos nos meus. Fiz um carinho na sua barba, sorri e disse-lhe.
-Alexander Spatzzer. Divertimo-nos nesta madrugada! Somos homens brother! Sei o que tenho no meio das pernas. Confio em sua forma de trabalhar e espero que o que aconteceu não interfira em nossa relação de trabalho. Saiba que me deu muito prazer e espero ter correspondido. Não pensa que me arrependo de nada. Sou macho o bastante para saber o que e quem sou. Obrigado pela boa farra, foi gostoso pra caralho! Mas agora vamos trabalhar!
Dei um beijo rápido na sua boca que agora esboçava um sorriso mais seguro. E fomos juntos para o elevador, já conversando sobre o tema da próxima reunião, e perguntei-lhe para quando estava prevista a chegada de sua esposa e filho e deixei a empresa à disposição para que o ajudasse na mudança no que precisasse. 

12 de fev. de 2011

NSP Cap 43 Isso é agora! O Mundo novo.

Faz tempo que não escrevo! Tive que reler alguns capítulos. Kkkkkkkkk.  Perdi-me na minha própria historia, tanto tempo fazia que aqui não me confesso. Relendo os capítulos para continuar vi que na verdade perdi em muito a vontade de contar detalhes que me parecem muito tristes. Pensei então em dar um salto no tempo e ao mesmo tempo durante o decorrer da narrativa ir contando história que dão sentido ao momento atual.
Me perdoem se parece preguiça de minha parte! Mas vendo onde parei e onde estou. Pensando em tudo que se passou no mundo em que vivemos, me pareceu tão pouco importante o que teria para contar! Por isso vou por vocês a par do que mudou e ao mesmo tempo peço que me perguntem o que eu deixo no ar sem respostas devido ao esquecimento.
Atualizando vocês. Minha mamma querida é morta vitima de câncer generalizado. Sofri como um cão danado. Mia mamma era minha referencia feminina no mundo. A única mulher da minha família nuclear, a única da minha nova família que construí em Salvador formada por homens. Eu, o Cado, o Lipo, o Rick e o Léo. Lógico que tenho em grande conta minha mainha baiana, a Estelita, mas no fundo sei que ela tem a família dela e eu sou um grande e querido amigo. Essa perda me levou a constatação que passei a vida inteira cuidando dos meus babbos e de mio fratellino. Tudo que passei e fiz foi em primeira e ultima instancia por eles. Não nego que sou ambicioso, gosto de trabalhar e como resultado disso tenho uma vida de sucesso nos negócios. Não nego a sorte que tive em amar o Cado, um homem rico e principalmente por ele ser amado. Mas do fundo de mio cuore sei que teria sucesso mais cedo ou mais tarde com meu trabalho. Mas com a falta da mamma eu me senti de certa forma livre. Resolvi que era hora de cuidar de mim em primeiro lugar. Consegui transformar em realidade sonhos de uma vida. Formei mio fratello e ele estava em rumos de se dar bem também sentimentalmente. O babbo não nos seguiria ao Brasil, ama sua terra e disse ser impensável da parte dele deixar a mamma solla em terra italiana. Ela ficaria pra sempre na Itália e ele um dia seria enterrado ao seu lado. Ficaria em nostra terra cuidando do sitio e esperando sua hora de juntar-se a sua amada.
 Passei sérios atritos com mio babbo que perdido em seu medo da falta da companheira de uma vida resolveu simplesmente comer toda a vizinhança. Daí dá para sacar de onde eu e o Lipo tiramos todo fogo nosso!
Minha relação com o Cado, meu amado, meu amigo, companheiro, meu homem! Continua sendo meu sustentáculo de sempre. Fiel e sempre presente e paciente com minhas escapadas que hoje julgo ser um caso de auto-afirmação constante necessário ao meu ego gigante e minha devassidão inerente.
O Lipo depois de muitas idas e vindas resolveu assumir seu amor pelo Léo. Desistiu do esdrúxulo casamento com a tal da patricinha comedora de porra. Hoje está fazendo curso de MBA junto ao Léo. Os dois moram em New York e passarão por lá os próximos dois anos.
Por tudo isso eu penso que finalmente chegou a hora de cuidar apenas do Matteo. De ser eu o impulso necessário a minha vida. Agora eu devo somente a mim mesmo a causa e as conseqüências de meus atos. Conversei longamente com o Cado sobre meus novos rumos. Pra onde ir, que caminho seguir? Resolvi ficar por mais tempo na Europa, criaria novos sonhos pra mim mesmo. Ali ficaria para dirigir a sucursal exterior de nossa empresa. Outros planos tenho para o futuro e sei que com planejamento e minha costumeira audácia conseguirei. Dois deles estão em vias de concretizar. Seriam os primeiros! O Numero um, fazer uma grande viagem pela Asia, coisa que estou fazendo exatamente neste momento. O outro seria a realização suprema de criar um filho, ter um pedaço de Matteo solto no mundo espalhando meus genes, me continuando e me tornando eterno. Isso é coisa para mais planejamento. No momento sou o cara mais egoísta do mundo. Me dei o direito de pensar em mim e só em mim por enquanto.
De certa forma tenho a segurança de ter meu amor sempre junto  mim. O Cado foi, é e será o cara de minha vida, sei que poderei contar com ele sempre. Sei que a cada espaço em nossas agendas estaremos juntos.  E assim estamos realmente.
No ultimo capitulo que postei estava em preparativos para o embarque para as férias na Toscana. Mais uma vez iríamos para a Villa familiar do Cado, tentar continuar a interminável reforma e ter alguns momentos idílicos para junto ao meu amor poder ter momentos apenas nossos. Nos os tivemos, e voltando a Salvador tive que ir as pressas para Itália de volta devido ao estado da mamma que se agravou sobremaneira.  Essa última viagem me fez tomar a decisão de ficar por um tempo indeterminado em Napoli. Com o crescimento dos negócios da firma em Angola e na Germânia, fiquei sendo o responsável por esta parte da empresa. Os problemas de família me levaram a suposição de que seria impossível me manter na Europa sem uma ocupação que pusesse termo as minhas neuroses, ocupando meu tempo em viagens de negócios.
Nessa temporada,meses finais do ano de 2010 o hemisfério norte entra numa crise de valores que lembrava em muito o que eu sabia da década de 60 do século passado. Irlanda, Inglaterra, França, Germania, Grécia e até o calmo e rico Japão assistem a sua população ir as ruas gritando por direitos civis alcançados a base de muitas lutas e de um sistema econômico que mostra estar em colapso. Espanha e Portugal, outrora donas do planeta se vêm na mais grave crise de trabalho dos últimos duzentos anos. Enfim a Europa com o fim da grave crise econômica de 2008 percebe que está perdida e afundada em dividas que não mais poderão ser sustentadas pelo chamado terceiro mundo. Países emergentes e poderosos como Índia, China, Rússia e Brasil se dão conta que não foram abalados pela crise provocada pelo sistema insano de consumo  dos americanos do norte. Começam a mostrar que devem ser ouvidos e respeitados.
Eu viajava por estes países vendo estupefato o sistema que eu sempre soube ser decadente e que no intimo de meus pensamentos sempre me perguntava até quando podia durar o estado de coisas da forma em que estavam. Como poderiam países que vêm sua população envelhecer manter como seguro e certo o atual estado de bem estar do povo. Quem pagaria a conta que uma hora se mostraria insustentável? E tranqüilo e observador eu assisto ainda hoje o sistema entrar num colapso sem volta. O mundo está mudando! A África mesmo com alguns países vivendo na pré historia da economia moderna procurará seu lugar na sombra das benfeitorias que ajudou o mundo a alcançar. A America do Sul tendo como país capitão o gigante Brasil sairá da sua pasmaceira criada enquanto sustentava ditadores e caudilhos e abastecia o mundo com mão de obra barata e matéria prima roubada de seus campos e florestas. A Ásia sendo berço e lar da maioria da população do planeta exigirá mais que alguns centavos de dólar pela imensa força produtora e consumidora que se forma após anos de isolamento.
Numa dessas viagens, desta vez a Espanha para fechamento de um contrato fui a Barcelona centro principal da Catalunha, terra do Deus Gaudí e das famosas ramblas cheias de turista em busca da Barcelona que viram num pôster na agencia de turismo.  Lá depois de dois de trabalho com carga horária de 14 horas dia, resolvi na ultima noite visitar o celebre restaurante El Bulli do famosíssimo chef de cuisine Ferran Adrià. Convidei uma amiga que estava modelando para um designer de moda local. Sabia que me irritaria com a vaca pedindo alface ou outras folhas na tentativa de manter sua forma esquelética . Mas a sujeita é linda e me lembrava que era razoável na cama. De qualquer forma não queria ir ao famoso point sem uma companhia no mínimo vistosa, sendo que modéstia a parte, já que eu nunca fui mesmo modesto, eu estava de arrasar quarteirão naquela noite!
Estava eu na espera do terceiro do prato e a vaquinha linda e muitíssimo bem vestida ainda na metade da caríssima alface que tinha pedido quando eu percebo um deus, ou melhor, um puta de um  DEUS loiro na mesa ao lado.Minha amiga o cumprimenta e á amiga dele também. Disfarço alguns minutos e pergunto a minha companheira de quem se tratava. Ela me responde ser um famoso modelo americano que estava de passagem fazendo um catalogo para uma grife famosa. Dei um jeito de entupir de vinho a modelete que logo se mostrou mulher e pediu licença para ir ao toillet. A amiga dela que acompanhava o loirão fez o mesmo. Ele me olha sorrindo e fala num acentuado espanhol.
-Mujeres!
Eu retribuo o sorriso e respondo em inglês.
- Vão sempre juntas! Aposto que falarão de nós.
Ele fala.
-A sua também só come folhas?
Respondo.
-Uma ou duas. Ou pode ter uma seria congestão!
Rimos de nossa maldade para com as meninas e eu tentando puxar assunto e vendo seu físico atlético  pergunto se esta cidade para pratica de algum esporte.
-Não! Também sou modelo, mas sou fã fiel e ex jogador de football.   Responde ele.
-Eu sou sempre disputado ou temido para jogar o football devido ao meu tamanho, mas gosto muito. Sigo o superball pela TV sempre que possível. No meu país gosto de jogar  beach volley, o qual temos como serio rivais vocês norte americanos.
-De onde vens?
-Brasil.
-Me pareceu italiano ou ao menos espanhol do sul.
-Descendência mediterrânea. Sou napolitano brasileiro.
-Seu país é famoso pelas belas praias. Com certeza é melhor praticar esportes que nos deixem perto delas.
Sorri do clichê que ele disse, falando.
-Praia,mulheres, carnaval,  soccer e Pelé!
Ele sorriu de volta mostrando um semblante avassalador.
-Sei que é clech6e. mas poucos países têm clichês tão bons.
Me rendi.
-É verdade! Enfim alguém me dá uma resposta merecida e lisonjeira.
Levantei e fui apertar-lhe a mão para me apresentar formalmente.
Quando as mulheres chegaram estávamos como dois garotos falando sobre esportes e sorrindo contando nossas perdas  e vitórias em esportes variados. Enfim, conversa de homem. Falávamos como se estivéssemos num boteco tomando cerveja e fossemos amigos delonga data. Esquecemos deselegantemente das mulheres que falavam sem parar em desfiles e fotógrafos famosos. Eu estava completamente encantando com o loirão que se mostrava completamente hetero, de uma masculinidade cônscia e tranqüila
. E quanto mais hetero se mostrava mais eu curtia aquele homenzarrão loiro de claros olhos azuis e braços poderosos. Enquanto falava e sustentava o olhar sincero eu me imaginava atracado com ele numa cama, onde nossas peles de tons contrários e nossos músculos volumosos se misturavam de forma sensual. Pensava o quão delicioso seria transformar aqueles cabelos encaracolados de tons amarelos em rédeas que me dessem o controle e o poder sobre seu lombo branquíssimo.
Acabado o jantar já pela madruga fomos a uma danceteria bastante popular em Barcelona, “Pacha” lar da House Music catalã, cheia de gente jovem e bela procurando diversão e diversão pelo simples fato de existir. Noite deliciosa, mas sem sexo. O máximo que consegui foi um convite para um treino na academia onde ele estava freqüentando. Mas não foi de todo perdida a emboscada. Na academia trocamos endereços em Londres e New York. Havíamos ficado amigos ou ao menos, bons colegas. Sabia que seria difícil, e isso me deixava doidim de tesão. Tem alguma melhor que pôr um hetero no caminho do bem?
Voltei para Itália com uma passada por Roma. Começo de inverno. Hora de fazer comprinhas e renovar o guarda roupa. Porra! Posso ser macho, mas sou gay também! Já viram algum gay que resiste a compras numa avenida badalada? Pô galera tem hora que tem que por a bichinha que mora em nós respirar e ser livre um pouco. Kkkkkkkkkkkkkk. Aterrissei em Fiumicino e fui todo feliz para Via Condotti seguindo o rastro dos últimos lançamentos da Hermegildo Zegna, minha marca fetiche. Quer comer um Deus? Use uma cueca da ultima coleção de Zegna. Não tem quem resista a um corpão com uma Zegna desenhando um belo pacote no meio das coxas. Os fashionistas podem se perguntar por que não Milano? Eu respondo. Milano e sua Galeria Vittorio Emanuelle estão longe de ter o charme burlesco da Via Condotti. Aliás os Milaneses que me perdoem mas eles são chatos e sérios demais, nortista demais. Nada como curtir o fresco inverno romano tomando um gelato altíssimo a beira de despencar e ver as belas vitrines da Via Condotti sob o sol frio de outono em suas ruas de paralelepípedo irregular e passeio pequenino. Paquerar os guris e meninas metidos a besta que passam frenéticos e animados correndo para a Piazza Spagna cheia de turistas.
Fiquei duas semanas em Napoli e segui para Luanda onde fechei um importante contrato da construção de um shopping para a nova capital que se reerguia corajosa.
Bem amigos! Como faz muito tempo que não escrevo para vocês, espero que me façam perguntas e questionem se deixei algo passar. Tentarei seguir a de onde estou, prometo que voltarei a postar ao menos uma vez por semana.  Para os que me seguem no Kut ou me tem como contato no MSN, me perdoe a ausência. Neste momento estou na Asia. Escrevo esta carta de um trem indo para o norte da África. As coisas por lá estão fervendo! Sigo o caminho contrario de milhares de estrangeiros que deixam países que estão em turbulentos momentos de sua historia. Não sei o cazzo me arrisco a ir contra a maré! Mas tenho uma vontade gigante de participar, de ver a historia sendo feita por esses povos. Apenas me vem à cabeça que quero ver o futuro nascer. Quero saber e sentir a revolução que os árabes estão fazendo com sua cultura. De onde estou é impressionante ver como a sede de liberdade é uma condição básica humana, tanto como respirar. Nem religiões, ditadores ou séculos de cultura de aceitação são capazes de domar este espírito faminto que habita a alma humana. De onde estou vejo que uma cultura milenar de arte impressionantemente sensível e bela não é bastante para este monstro de liberdade que cultivamos em nosso intimo. Talvez só amar a Deus não baste, talvez seja preciso que escolhamos nosso Deus. Talvez só arte não baste, talvez seja preciso que escolhamos como representá-la. Talvez ser rico ou pobre não baste. Talvez os Titãs tenham achado a resposta quando disseram numa musica que a gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte. Talvez isso seja a essência de quem somos. Somos Deuses. Somos grão de areia. Mas somos grão de areia com vocação para Deuses.